Retalhos de uma vida passada e futura


O meu pai tinha uma casa na Lapa - Cartaxo. Quando viemos de Luanda para cá os meus pais foram viver para lá, a minha mãe arranjou emprego no Cartaxo e por lá ficaram e eu também. Estudei no Cartaxo e em Santarém, depois vim para Lisboa e então estraguei-me toda? Durante a minha estada por terras ribatejanas, pelos meus 13/14 anos conheci um rapaz, com o qual mantive um nanorisco de jovens, mas por vezes são esses que nos marcam. Aldeia pequena, onde as pessoas se conhecem e onde os pais têm por hábito escolher as noras e os genros, não podia vir uma rapariga de fora estragar tudo e meter-se no meio deles... naaaaa... era demais para essa gente. Eles já tinham feito a sua escolha para o filho e tudo fizeram para conseguir os seus intentos... desde se zangarem com ele até esconderem-lhe as minhas cartas... sim que naquele tempo escreviam-se cartas.
Com uma coisa dessas era impossível eu e ele resistirmos, então cada um fez a sua vida... ele casou com a eleita dos pais e eu fui para Lisboa e refiz a minha vida.
Poucas vezes ia à Lapa, senão para ver a minha mãe. Quando a minha mão falaceu praticamente deixei de lá ir. Mas quando a minha neta nasceu, passado uns mesitos resolvi ir lá dara a conhecer a minha neta a algumas pessoas.
Quando lá cheguei entrei no café que costumava frequentar, toda contente com a minha neta e assim que entrei alguém se chegou perto de mim e disse-me que tinha uma grande novidade para me contar? Eu ? que não sou nada curiosa, fui logo ter com ela e perguntei o que se passava. Então o que era? a Fernanda, veio dizer-me que a Lurdes, a tal rapariguinha de que já falei, tinha deixado o António Luis. Está visto que eu nem pensei em mais nada? tinha que arranjar uma forma de o contactar e não sabia como, mas tinha de arranjar.
Despedi-me da Fernanda e do pessoal dali e fui a outro local ter com outras pessoas a mostrar a minha neta e quando cheguei ao pé da Grizette, uma pessoa amiga da minha mãe, ela vem com a mesma história e eu disse que já sabia e que só precisava de encontrar um contacto para falar. Ninguém tinha um contacto dele. Entretanto estava lá afixado um cartaz com a data da festa lá do sítio, pois as festas de lá são no final de Julho, e como ele tem uma firma de alfaias agrícolas, fomos lá ver e lá estavam vários telemóveis e telefone os quais tirei todos? Despedi-me da malta e fui para casa, já com o coração aos pulos.
Quando cheguei a casa, depois de pensar se deveria ligar, se não deveria, resolvi que tinha de ligar, não podia ficar naquela ansiedade toda. Liguei para o fixo e atendeu-me uma voz masculina? vi logo que era ele? mas como não falava com ele à já 27 anos, podia estar confusa e não querendo meter o pé na poça pedi para falar com ele e de lá a voz respondeu-me: ?Sou eu??, o meu discurso? ?ah sim? boa noite, não sabe com quem está a falar??.. eu conheço-o já de algum tempo atrás? ?ele pensa? e diz para falar mais pausadamente mas quando vou a dizer mais qualquer coisa ele de lá diz ?Ruth???, eu começo-me a rir e foi lindo? falamos um bocadinho e ele veio ter cmg a Lisboa, encontramo-nos era meia-noite e qualquer coisa em frente ao Colombo? estivemos a falar, recordar o passado e rever o presente e planear o futuro até perto das 6 da manhã? saí de pé dele para me arranjar e ir trabalhar.


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